quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A Igreja Espetáculo



A Igreja Espetáculo


Por: Fernando Marin


 Tenho dito que quase nada mais me surpreende, basta se ler um jornal ou um site de notícias para nos depararmos com todo o tipo de barbaridades, corrupção, crimes e coisas do tipo. Mas, algumas ainda me chamam a atenção, mais pelo fato de que são assuntos os quais eu costumo discutir – ou não – e que vem de encontro àquilo que penso.

 Coloquei um “ou não” porque nem todos os assuntos costumo discutir em público, infelizmente muita gente não compreende bem os temas e parte para a simples agressão – às vezes até de fato – por não possuírem uma argumentação sólida. Às vezes até posto temas polêmicos, mas me eximo de discutir ou de colocar em debate, já fui até ameaçado de exclusão em uma rede social por um amigo que não admite que alguém pense diferente dele, enfim, para manter uma amizade muitas vezes é melhor não dizer nada.

 Mas, hoje logo de manhã, lendo as notícias me deparo com uma publicada pelo jornal O Dia (http://odia.ig.com.br/brasil/2017-11-09/homem-tenta-esfaquear-pastor-durante-culto.html), um homem, ao participar de um culto em uma conhecida denominação evangélica, teria tentado esfaquear o pastor por “não ter gostado do louvor”, fato acontecido em São Paulo.

 O fato me trouxe à mente uma série de outros e acabei por escrever esse artigo, mesmo contra a minha vontade. Sei que serei criticado, mas isso faz parte da vida.

 Todos os dias pastores são “esfaqueados” por ovelhas descontentes, ou com o louvor, ou com o líder de algum departamento, ou porque estava frio, não gostou do sermão, ou porque está insatisfeito com alguma coisa dentro da igreja, ou porque o pastor fala baixo, reclama-se e critica-se tudo. A maioria dos pastores estão acostumados a isso, e vão tocando a sua missão com o pensamento só em Deus. Outros, se irritam e acabam praticando atos incompatíveis com o ministério. Mas, tenho visto igrejas onde a rotina foi adaptada aos novos tempos, cultos espetaculosos, grupos de louvor equipados com o que há de melhor, som digital, vídeo, transmissão ao vivo, etc.

 As atividades são diárias, reuniões, almoços, jantares, festas das mais variadas. Muitos cultos tem a participação de grandes e conhecidos pregadores e cantores. As mensagens são dinâmicas e sempre muito otimistas, afinal somos filhos do Rei, tudo tem que acontecer de bom em nossas vidas, não é?

 Os templos, cada vez maiores e mais luxuosos, construídos para abrigar muita gente, e com um custo também cada vez mais alto, daí a necessidade de frequentes campanhas de arrecadação para obras, melhorias e manutenção, um valor que seria muito melhor aplicado em evangelismo / missões.

 Pastores criativos que oferecem , por alto preço, todo tipo de artigos, toalhas ungidas, água de rios “sagrados”, vassouras para varrerem o mal, tijolos, cd’s, dvd’s , ou pedem mesmo ofertas ‘de amor’ ou ‘de fé’ sempre de valores altos e determinados.

 E assim, todos os dias tomamos conhecimento de pastores e igrejas que, com as suas doutrinas próprias, estão cada vez mais afastados do Evangelho de Jesus Cristo.

 Não sou contra a música, o canto, a dança, as festas, porém entendo que a pregação da Palavra – e ela é dura, muito dura! – é o que deve nortear uma igreja bíblica. Tenho andado por aí e verifico uma grande quantidade de “crentes” que desconhecem o Evangelho, e isso me entristece.

 Moro em uma cidade que hoje tem 140 mil habitantes, e mais de mil igrejas, de todos os tamanhos e denominações, uma base de 140 pessoas por igreja, umas tem 900 membros, enquanto que outras reúnem poucas pessoas, mas a conta está aí.

 Puxa, essa cidade deveria ser uma benção, um paraíso, não é? Tantas igrejas para pouco mais de 140 mil habitantes. No entanto não é essa a realidade, o tráfico de drogas está disseminado, roubos, assaltos constantes, jovens bebendo nas ruas, bailes funk, boates repletas, todo tipo de coisas amplamente condenados pela Palavra.

 Creio que ainda há tempo para as igrejas locais acordarem para a realidade e deixarem de ser como clubes privados ( há exceções) e partirem para cumprirem a verdadeira missão que receberam de Jesus, a de fazerem discípulos por toda parte. Enquanto a igreja não cumprir com a sua Missão, almas continuarão se perdendo. E essa responsabilidade foi dada pelo Mestre a  todos os crentes.

 E por isso seremos cobrados.


Fernando Marin

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Polêmicas do Cotidiano II – A cultura do nu e os evangélicos incômodos.



Polêmicas do Cotidiano II – A cultura do nu e os evangélicos incômodos.


Por: Fernando Marin


 A polêmica foi instalada em São Paulo recentemente , mais precisamente na abertura do 35º Panorama de Arte Brasileira no MAM, onde um coreógrafo  completamente nu convidava os presentes a interagirem com ele, tocando em seu corpo para incentivar movimentos que se assemelhavam aos de uma escultura presente na exposição.

 Setores conservadores da sociedade partiram para o ataque do que consideram uma afronta à capacidade cultural da população, de outro lado artistas e intelectuais saíram em defesa de uma livre expressão da arte, sem o que chamam de censura de qualquer natureza. O povo religioso, mais notadamente o evangélico, protestou com veemência contra aquilo que entenderam como um ataque ao Evangelho e à moral, até porque uma mãe levou sua filha de 5 anos à tal exposição, e a menina foi filmada sendo induzida por essa mãe a interagir com o artista nu.

 Uma polêmica das grandes, foi o assunto da semana na mesma época em que a revista Veja publica um artigo escrito pelo jornalista J.R.Guzzo que chama o povo evangélico de “incômodo”, um texto repleto de desinformação e preconceito e que repercutiu por dias na mídia com respostas vindas de diversos setores da igreja evangélica brasileira que se considerou agredida com a matéria.

 Não costumo participar de debates polêmicos, mas dessa vez não poderia deixar passar em branco dois fatos que repercutiram demais em todos os cantos do país. Também prefiro digerir bem os acontecimentos antes de me posicionar, com o sangue quente muitas vezes praticamos injustiças. Também aprendi que devemos procurar conhecer os dois lados de qualquer história que nos contem, afinal sempre há o certo e o errado. Com isso, não quero dizer que a minha palavra é inquestionável, porém procuro me cercar de cuidados ao emitir opinião em assuntos tão polêmicos até porque respeito e sempre respeitarei aqueles que pensam diferentemente de mim. Quem quiser discordar, tem o direito, não correrá o risco de ser excluído de meu rol de amigos, basta apenas que se manifeste com respeito e educação, e saberei entender a discordância.

 Quanto ao primeiro fato, o do nu, a falta de vestimenta sempre fez parte do trabalho de muitos artistas, notadamente escultores e pintores dos mais famosos. Obras das mais conhecidas estão descobertas de roupas, e expostas ao público em museus famosíssimos do mundo. Creio que aqueles que se escandalizam com esse tipo de arte devem se abster de comparecer onde elas são expostas. No caso do MAM , foi verificado que a interação com o artista aconteceu em um ambiente fechado e sinalizado , portanto acessível apenas aos que realmente desejaram estar presentes. Existe muita coisa que considero abominável acontecendo diariamente pelo mundo, em cinemas, teatros, boates, bordéis , e eu me abstenho de comparecer. É a minha forma de demonstrar discordância, como cidadão, como evangélico apenas frequento ambientes em que não me sinta agredido ou incomodado com algo que fira a minha consciência.

 Claro que há uma agravante séria nesse fato, uma mãe (desavisada??) levou sua filha de 5 anos e a induziu a interagir com o tal artista. Com certeza, essa criança não deveria estar lá, não apenas proibida pela mãe, mas pela rede de proteção do estado, que falhou no caso. Creio que é devida uma punição ao MAM e a essa mãe, por terem permitido a entrada da criança nesse setor da exposição.

 Sei que pastores e muitos evangélicos se posicionaram contra essa expressão artística, entendo que temos essa liberdade de discordar mas temos que compreender que o mundo está repleto de atos e fatos contrários aos pregados pelo Evangelho, e não nos cabe efetuar um patrulhamento moral da sociedade e de suas produções, não nos cabe o julgamento do certo ou do errado praticados, não foi isso o que Jesus nos ensinou.

 Mais uma vez, recorro à Bíblia, mais precisamente ao Evangelho de Marcos, onde no Capítulo 16, versos de 15 e 16, o próprio Mestre nos determina: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.”

 Simples de entender, nossa missão não é policialesca, é a de pregar o Evangelho. Como Cristo diz, quem crer estará salvo, quem não crer não estará. A missão que nos foi imposta pelo Mestre é a de fazer seguidores, “e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês.” ( Mateus 28.20).

 Não é missão do evangélico condenar nada e ninguém, não é nossa missão acusar ou julgar ninguém pelo que faz ou pensa, estamos aqui para fazer seguidores, para espalharmos as boas novas pelo mundo, para trazermos uma palavra de salvação para os perdidos, isso sim é o que temos a fazer, e a obra é enorme!

 Quanto ao artigo discriminatório aos evangélicos publicado pela revista Veja, está repleto de discriminação e de desconhecimento, assim prefiro nem comentar, para não correr o risco de praticar algum julgamento indevido.

Fernando Marin

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Polêmicas do Cotidiano I - A Rede Globo



Polêmicas do Cotidiano I - A Rede Globo



Por: Fernando Marin



 Não é de hoje que ouvimos e lemos críticas à programação da Rede Globo, tida como de baixo nível e tendenciosa, politicamente falando.

 Vemos nas mídias sociais movimentos que incentivam a sonegação da audiência da emissora, num protesto por reportagens e opiniões.

 Na verdade, o que tenho a dizer é que não assisto à programação da Globo. E se há tantos que a criticam, devem assisti-la, caso contrário não teriam como criticar o que não conhecem.

 Creio que a maior punição para uma emissora que produz programas de baixa qualidade ou tendenciosos ou atentatórios à moral é o controle remoto de nossos aparelhos de televisão. Há, com certeza, opções melhores para assistirmos, principalmente para os que possuem uma assinatura de tv paga.

 Mas, se mesmo com a opção do controle remoto ainda há quem se delicie com baixo nível, aí a questão está na consciência desses. Não nos cabe patrulhar e nem impor o que alguém quer ou gosta de assistir. É o exercício do livre arbítrio de cada um.

 Creio que a nossa parte nisso tudo é a de cobrar das autoridades que a educação em nosso país suba de nível de qualidade, para formarmos pessoas mais críticas e amantes de uma boa e saudável cultura e aí sim quem não estiver nivelado a essa exigência popular por uma  boa cultura será punido pela falta de audiência.

 Ainda falando de cultura, todos tem acompanhado os episódios acontecidos na exposição Queermuseu em Porto Alegre e na abertura do 35º Panorama de Arte Brasileira, no MAM em São Paulo, onde um coreógrafo  completamente nu convidava os presentes a interagirem com ele, tocando em seu corpo para incentivar movimentos que se assemelhavam aos de uma escultura presente na exposição.

 Bem, isso é assunto para outro artigo.


Fernando Marin

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ontem, hoje. Amanhã??


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Ontem, hoje. E amanhã??


Por: Fernando Marin



 Costumo dizer que não sou tão velho assim, apesar de legalmente ser considerado como um idoso, mas tenho acompanhado as mudanças acontecidas na sociedade nos últimos 50 anos, e vejo que as chamadas evoluções apenas serviram para tornar a nossa vida pior.

 No meu tempo de escola – pública – nossas professoras ( não ‘tias’ como se chamam hoje)tinham papel importante na nossa formação moral, religiosa e também no ensino, normalmente acompanhavam a mesma turma por algumas séries, conhecendo bem seus alunos e os problemas de cada um. As segundas-feiras eram festivas, antes do início das aulas as turmas formavam no pátio da escola e acontecia uma solenidade, com cântico do Hino Nacional Brasileiro, hasteamento da Bandeira e celebração de datas importantes para o País. Nas salas de aula o respeito era total, não porque fosse imposto, mas acontecia naturalmente, a profissão de professor era importante e valorizada e os pais ensinavam seus filhos a respeitarem os mais velhos e as leis e normas vigentes.

 Na época do sete de setembro, as ruas se enfeitavam de verde e amarelo, bandeirinhas de papel eram distribuídas, os carros ganhavam adesivos com as cores nacionais, o patriotismo estava estampado no rosto e no coração de cada brasileiro. Os feriados nacionais tinham um forte significado patriota, e o amor ao Brasil era cantado em verso e prosa por muitos artistas populares, quem não se lembra do ...”eu te amo, meu Brasil, eu te amo, meu coração é verde, amarelo, branco , azul anil ...”.

 Éramos ensinados a cedermos nossos lugares na condução aos mais velhos, a carregarmos as sacolas dos idosos, a darmos bom dia, boa tarde, a não gritarmos, a respeitarmos os direitos dos outros, essa era a nossa criação.

 Aí, a sociedade “evoluiu”, e hoje estamos acostumados a vermos notícias de alunos que agridem professores, ou a professores que agridem alunos, desrespeito aos símbolos nacionais, aos mais velhos, as leis são simplesmente ignoradas, os lugares destinados aos idosos nos transportes são ocupados até mesmo por estudantes uniformizados, pais são assassinados por filhos, as famílias se desfazem por qualquer pequena desavença que haja, as drogas invadiram os lares e as escolas, e por aí vai.

 O ensino , de mal a pior, são muitos os que chegam ao nível superior e que quase não conseguem ler ou interpretar um texto, e quem for professor irá saber bem do que estou falando. A criminalidade está por toda parte, bandidos muito bem armados estão a ponto de tomar nossas cidades e nos expulsarem para roubarem nossos bens e nossas vidas, e eu imagino: o que será de nosso país daqui a 10 anos?

 Falo de nosso país, de nosso querido Brasil porque vemos que em outras partes do mundo a situação é muito diferente, há lugares onde a polícia procura o que fazer por falta de bandidos ( Japão), outros onde as prisões estão sendo fechadas por ausência de presos( Suécia), outros ainda onde as armas são terminantemente proibidas, e a posse ilegal de uma delas leva a 10 anos de prisão ( Inglaterra), onde menores de 18 anos são presos e julgados quando cometem crimes (USA).


 Afinal, onde estamos falhando?

Fernando Marin

terça-feira, 18 de julho de 2017

A insegurança nossa do dia-a-dia II


A insegurança nossa do dia-a-dia II


Por: Fernando Marin



“...homens violentos querem me matar. Eles não se importam com Deus.” Sl 54 3 b

 Palavras de Davi, preocupado, amedrontado, quando estava escondido enquanto era procurado para ser morto. Palavras ditas séculos atrás mas atuais, afinal a situação em que vivemos hoje nos leva ao medo de sermos vitimados a qualquer instante, e em qualquer lugar.

 A situação da insegurança hoje nos apavora. Acontece uma média de um roubo de carga por hora no Rio, os caminhões são levados a algumas comunidades e rapidamente descarregados e os produtos vendidos pelos ladrões. Já existem feiras onde esses produtos são vendidos livremente a preços baixos, embora os frutos desses roubos também sejam ofertados por ambulantes até mesmo dentro dos trens da Supervia.

 Segundo o Portal Terra , há uma média de 14 tiroteios por dia que acontecem em diversas partes da cidade, inclusive próximo a escolas, hospitais, postos de saúde. No meio desses tiros está a população, somente no ano de 2017 até o dia 2 de julho 632 pessoas foram atingidas por balas perdidas , sendo que pelo menos 67 delas morreram (fonte O Globo).  Até mesmo bebês foram atingidos e feridos antes de nascerem, como no caso do Arthur, em Duque de Caxias, atingido por uma bala perdida dentro da barriga de sua mãe.

 Apenas no ano de 2017, até hoje, 89 policiais militares morreram vítimas dessa violência, muitos deles de folga, número superior aos mortos durante todo o ano de 2016.

 O caos é tamanho que já existe pelo menos um aplicativo de celular – denominado Fogo Cruzado – que informa as áreas que devem ser evitadas por estarem acontecendo trocas de tiros entre polícia e bandidos ou entre os próprios traficantes, que não se preocupam nem um pouco com o que acontece  à sua volta. Segundo a ONG Rio de Paz, os dados fornecidos pelo Aplicativo não expressam a realidade, já que os moradores de comunidades geralmente não ousam informar confrontos próximos às suas residências, com medo de retaliações por parte dos bandidos. Assim, a comunidade do Jacarezinho, por exemplo, onde existem tiroteios diários sequer aparece nas estatísticas da ONG.

 Crianças, jovens, adultos, idosos todos hoje são vítimas dessa violência desmesurada, direta ou indiretamente. Segundo o Portal G1 , pelo menos 550 mil pessoas sofrem de estresse pós-traumático, causado pelo pânico ou por perda de algum parente por atos de violência, 214 mil pessoas apenas na capital.

 A política de segurança capitaneada pelas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) faliu, junto com o governo do estado. A falta de recursos , atrasos e não pagamento de direitos trabalhistas – os funcionários do estado do Rio de Janeiro sequer receberam o seu 13º salário referente a 2016, e nem há previsão para pagamento – acabaram por gerar uma crise sem precedentes, já que a situação de penúria atinge todas as áreas da administração pública, como educação, saúde e a área social.

 Falta de tudo, governo , dinheiro, estratégias, projetos, atendimento, armamento, veículos ( metade dos veículos da Polícia Militar estão parados por falta de manutenção), vergonha , o estado simplesmente faliu, devido à péssima gestão.

 A receita com o turismo caiu e continua em queda, os hotéis estão vazios, afinal quem tem coragem de vir passear no Rio?

 De quem é a culpa disso tudo?

 De todos.

 Há tempos que as más administrações não vem fazendo bem o seu trabalho, notadamente na área da educação, a mais importante de todas , já que é a que prepara e capacita o indivíduo para a vida. Há ainda a questão da corrupção, da impunidade, das péssimas condições de moradia , de saúde, enfim, o Rio de Janeiro hoje está entregue nas mãos dos bandidos. Digo com certeza que as autoridades perderam o controle da situação e agora a polícia corre de um lado para outro tentando conter ondas de violência e causando mais violência ainda, já que revida as agressões que sofre.

 Onde iremos parar?

 Não sei. Talvez, como Davi, tenhamos que sair da caverna e enfrentar a realidade. Temos que nos indignar e darmos nossa resposta. Não podemos continuar acuados e apavorados enquanto o mal prospera livremente. É necessário que se cobre o que é o nosso direito, direito de ir e vir, direito a segurança, a se andar livremente pelas ruas.

 Não é?


 Fernando Marin

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Desarmamento? de quem?


Desarmamento? de quem?


Por : Fernando Marin



Em dezembro de 2003, entrou em vigor a Lei 10826, chamada de Estatuto do Desarmamento, discutida votada e aprovada como uma saída para a escalada da violência no Brasil.

Seus defensores, na época, alegavam que a posse e porte de armas pela população civil abastecia os criminosos de armamento, e que isso estaria causando um aumento dos índices de criminalidade no país. Defendiam que, se a população não tivesse armas em seu poder, elas não seriam roubadas e usadas pelos bandidos.

A Lei criou dificuldades para quem quisesse adquirir ou portar uma arma legalmente. Com o passar dos anos, ela foi alterada e afrouxada em algumas situações, permitindo que algumas categorias pudessem possuir armas para a sua defesa pessoal.

Mas, a violência não decresceu nesses 14 anos de vigência da Lei, ao contrário, a criminalidade está cada vez mais colocando em risco a vida dos cidadãos de bem, numa prova de que, como se afirmava na ocasião, as armas nas mãos dos bandidos não provinham de furtos e roubos nas residências dos cidadãos, elas eram obtidas através de contrabando ou desvios das forças armadas e até mesmo das polícias.

Dias atrás, foram apreendidos 60 fuzis, provenientes dos EUA, em um container que passava pelo Aeroporto Internacional do Rio. Segundo a polícia, pelo menos 30 cargas anteriores passaram sem problemas pelo mesmo aeroporto, e essas armas estavam já nas mãos de quadrilhas em diversos lugares do país.

Quem conhece o Paraguai, notadamente na região da fronteira com o Brasil, sabe da possibilidade em se adquirir armamentos de vários tipos, até mesmo pesados, que são contrabandeados com relativa facilidade, devido à extensão da fronteira e da fiscalização precária da região.

Agora, recentemente, dois Foruns em cidades do estado de São Paulo foram invadidos durante a noite e cerca de 700 armas que lá se encontravam à disposição da Justiça foram roubadas, com relativa facilidade. Essas armas em poucos dias serão vendidas e estarão nas ruas, nas mãos de assaltantes, homicidas ou na de qualquer pessoa que aceite pagar um valor módico por uma delas.

Recentemente, por iniciativa popular, surgiu a Sugestão Legislativa 4/2017, que previa o fim do Estatuto do Desarmamento, facilitando mais uma vez a posse e porte de armas ao cidadão de bem, a proposta foi discutida mas acabou por não se transformar em Projeto.

Como cristão, claro que não defendo que qualquer pessoa possa adquirir e usar uma arma , estamos sujeitos a uma série de fatores que poderiam causar morte ou ferimentos até mesmo a inocentes. Mas fico indignado com a facilidade que os marginais tem em obter armamento sofisticado !

Para que tenhamos uma ideia da situação, entre 1980 e 2014 morreram no Brasil 967.851 pessoas vitimadas por disparos de armas de fogo, isso mesmo, quase 1 milhão de vítimas! Só em 2014, foram  44.861 mortes, colocando o nosso país no 10º lugar do mundo nesse ranking trágico (segundo a Revista Época).

Creio que é hora da população cobrar atitudes de nossas autoridades em relação à posse ilegal de armas no país. Que se fiscalize as fronteiras, que se investigue com profundidade como esses armamentos conseguem passar pelos controles alfandegários – tão severos ao cidadão que chega de uma viagem ao exterior.

Necessárias também ações nas áreas sociais, principalmente na educação, para que os jovens tenham acesso à uma formação profissional que assegure seu sustento , afastando-os do risco da vida no crime.

Necessário também que se revisem nossas leis penais, tão brandas em alguns casos que fomentam a vida marginal.

Necessária e importantíssima a ação da igreja, em seu aspecto missionário, acolhendo, ajudando e evangelizando para que cada vez mais pessoas passem a ter uma vida digna e com mais amor no coração.

Vamos à luta?


Fernando Marin

segunda-feira, 26 de junho de 2017

No amor de Cristo


No Amor de Cristo


Por Fernando Marin



Nos últimos dias vem circulando pelas redes sociais noticias sobre a chegada de 1,8 milhão de muçulmanos ao Brasil, em 13 navios, como parte de um acordo que teria sido assinado entre o nosso país e a ONU. Paralelamente, tem surgido vídeos onde supostos muçulmanos fariam ameaças e falariam sobre a necessidade de usarem da “fertilidade” das brasileiras, para que eles dominassem o país.

Mais longe ainda, circulou pelas redes um áudio, supostamente gravado com palavras do Senador Magno Malta, onde ele faria advertências sobre os perigos de se receber esse povo no país, seriam terroristas, assassinos e por aí vai.

Ví vários tipos de manifestação da parte de muitos cristãos contra a vinda de seguidores do islã, já que seriam ímpios e maus, e que acabariam com os discípulos de Cristo, e etc.

Claro que nada disso é verdade, não sei quem e nem por que alguém criou esse fake com vistas a apavorar a nação, aproveitando o desconhecimento da maioria das pessoas acerca do islã e seu pensamento. O Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, prega a paz, o amor e a bondade, o que é mantido pela grande maioria dos seguidores de Alá. Infelizmente, há grupos xiitas, radicais que interpretam a doutrina muçulmana de forma diferente, daí surgirem os jihadistas, que imaginam estarem em uma guerra santa contra todos os não-seguidores de Maomé, são  terroristas imaginando lutarem contra os ímpios em busca de um bom lugar no paraíso.

Mas, o que mais me espantou nessa história toda foi o medo e o preconceito com que cristãos lidaram com esse fake. Falavam de perigo, quase pregando que seria o fim dos tempos, numa prova de desconhecimento total do que Jesus ensinou e que nos deixou como missão, a de fazer discípulos.

Os primeiros muçulmanos chegaram ao Brasil em 1835, hoje existem mais de 1 milhão deles vivendo – pacificamente – em nosso país. Há diversas mesquitas espalhadas por nosso território, raramente um deles se envolve em algum ato ilícito, o que comprova que são um povo de paz.

Além disso, Jesus nos ensinou a amar , não fazer acepção de pessoas, não julgar, a acolher a todos.

Ter medo de muçulmanos, portanto, não é coisa de Cristão! Falar mal deles, também não.

Afinal de contas, que tipo de cristianismo tem sido ensinado nas igrejas?

Fernando Marin